segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quem cuida ama


Tempo nublado na Praça da Sé,centro histórico de Salvador.Próximo a estátua em homenagem ao grande Zumbi dos Palmares,é visível encontrar essa senhora,que reside nessa praça e cuida diariamente dos vira-raças,que estão espalhados na comunidade do Pelourinho.
Me aproximei dessa senhora e dos cães, e perguntei se ela cuidava deles.Ela me respondeu que sim.É notório ela alimentando com resto de comida esses animais,que são maltrados e excluídos.
Outro lance que chamou atenção,é que de fato, a maioria das pessoas não se conformam em ver essa realidade,em plena praça pública,onde os turistas frequentam assiduamente essa localidade,pela história arquitetônica e por outras referências culturais.
Essa realidade não é só na Bahia,mas em todo Brasil. O mais interessante,é que os vira-raças sabem sobreviver e podem ter a felicidade de encontrar pessoas de bom coração,pelo menos um dia ou uma eternidade efêmera.




Denis Sena

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denissena.com

Vira-raça

Vira-raça
Denissena e a cadela belinha do Ibá Oji Tundê

Caes de rua

Caes de rua
Verdadeiro amigo

Vira-raça - Amem os caes de rua

Vira-raça



A fotografia tem destas facetas. Faz com que apontemos nossos olhares para situações invisíveis aos nossos próprios olhos, nos faz vê além da nossa realidade. O que teria de fotográfico num ensaio sobre os caninos, nossos culturalmente, melhores amigos? Teria o mesmo que as imagens exóticas dos outros mundos orientais, dos negros homens de Pierre Verger, ou o mesmo que dos trabalhadores de Sebastião Salgado, tem também o enredo de uma saga de quem vive sendo atropelado pela própria sorte de ter nascido. Tem dignidade e um laço de memória que ligam o ver ao sentir. Um ensaio que nos faz refletir sobre, não somente o sofrimento, mas a felicidade. Que nos faz parar e pensar. Nosso tempo perdido, nosso tempo não utilizado, na correria da vida moderna. Esquecemos de comportamentos tão viscerais, tão infantis, como o de brincar com nossos animais, brincando nos tornamos mais humanos. Visto a carga de informações e modelos de vida que recebemos diariamente que mais nos afasta do que aproxima de nós mesmos. Esta é a razão deste ensaio fotográfico, feito a partir de uma pesquisa desenvolvida por Denissena [operário cultural], ao longo de um tempo percorrido por ruas da grande cidade. Acredito. É para mostrar um pouco de nós mesmo. Desenvolvido sem a pretensão de virar uma amostra fotográfica, uma exposição, visto que Denissena não se define como fotógrafo e que, ao mesmo tempo, age exatamente como um e diria mais, como um foto pesquisador, aquele que utiliza a imagem para representar e transformar fatos isolados em um grande ensaio-situação, presente no nosso dia-a-dia. A fotografia reconhecida como uma das maiores representantes da nossa arte moderna, torna-se mais contemporânea, quando se ocupa de representações de realidades invisíveis aos nossos tempos, nossos tempos modernos. Este é um exemplo bastante estrutural sobre a nova face de uma mesma da fotografia, que cuida agora de definir não mais o que vemos, mas de transformar coisas vistas em conceitos, transformar conceitos em sentimentos.



Marcelo Reis

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Operário cultural. Acredita na arte como veículo de comunicação e transformação social. www.denissena.com

Plasticidade digital_ vira-raça

Plasticidade digital_ vira-raça
Cão de rua

III Festival Nacional da Fotographia

III Festival Nacional da Fotographia
Exposição Vira-raça no Ilê Axé Ibá Oji Tundê, Quilombo cabula 1

A procura

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Vira-raça .2006